
A autoridade suprema pertence exclusivamente a Deus como Criador e
Redentor, e a revelação divina é chave desta autoridade. A convicção básica
disso “Deus é sua própria autoridade e autoridade final” é legitima quando Deus
tem o direito imutável de exercer autoridade sobre o homem. O aspecto a priori
no homem, é a capacidade de compartilhar a autoridade divina seja na esfera da
fé, da moral e do ministério.
A verdade divina, existe independentemente de nós, e á parte de nós (ao homem
basta contemplar e aceitar somente pela fé). Deus tem o seu próprio princípio,
método e sistema, e a perda de um destes domínios configura incapacidade de
poder e sabedoria para Ele.
A legitimidade da autoridade divina na revelação se mantém no início e primeira
forma de todas as coisas. O que é de Deus só é possível ser conhecido por nós,
se o próprio Deus se manifestar. Deus é aquilo que se revela Ser no fato, de
forma livre, autoconsciente e genuína. Essa revelação pessoal assume o objeto
da autoridade do homem, e não o objeto da contemplação, prescrevendo aquilo
que a raça deve crer como conteúdo de fé.
Dizer que Deus é a autoridade suprema, exige que sua autoridade domine os
aspectos instrumentais do pensamento teológico deste trabalho:
• O princípio do Ser
• A origem da existência do Saber
• A fonte essencial, eficiente e instrumental
• O fundamento processual e cognitivo
A tarefa da dogmática é precisamente reproduzir racionalmente este conteúdo
de revelação, que proporcionou a existência do saber, a causa material, formal,
eficiente e final do pensamento teológico. Nenhum conhecimento de Deus é
possível, exeto aquele que procede de Deus e por Deus (Mt 11.27 – 1 Co 2.10).
Aquilo que precisamos entender sobre Deus, só pode ser ensinado pelo próprio
Deus, por isso não pode ser conhecido exceto pelo seu próprio autor. Deus tem o direito e a capacidade de dizer quem ele é e como ele quer ser servido.
Pela influência da Filosofia, esta parte genuína do material dogmático tornou-se empobrecida, se convertendo a superficialidade. Assumiu-se a convicção de que a razão humana, até mesmo sem a fé, poderia reproduzir todas as verdades da teologia para a igreja. A Escolática infelizmente emancipou a razão humana frente a fé, julgando ter uma chave de conhecimento superior à autoridade divina encarnada. Com este resultado, o conteúdo sagrado foi sacrificado em favor da forma, a realidade em favor da idéia, e a capacidade em favor da vontade.
Os pensamentos de Deus caminham de acordo como ele mesmo as reproduziu, e objetivamente estão contidos dentro de uma unidade perpétua e sem contradições. É completamente verdadeiro que este trabalho teológico defina:
• PRODUÇÃO - a fonte e o órgão do conteúdo da fé não pode ser o intelecto humano e a razão. Cabe somente o próprio Deus produzir o anúncio referente a fé, e ao homem falar corretamente isso. Aquilo que procede de Deus e é por Ele, implica ser a causa primária e final de tudo no pensamento teológico. (Mt 11.27;Jo 1. 12-13; 3.16-21; 6.57; 17.17; 5.24; 15.22; 7.28-29; 17.1-5; 2 Tm 3.16-17; 2 Pe 1.21; Col 3.16; Rm 1.18-32)
• INTERPRETAÇÃO - o objeto da autoridade legítima do conteúdo de fé repudia qualquer pressuposto, hipótese ou fenomeno patológico. A exemplo o intelectualismo, sentimentalismo místico, moralismo e religiosidade. O ponto de partida é que Deus seja o fundamento essencial verdadeiro disso, e ao homem só cabe a contemplação ou aceitação - a palavra final sempre recai numa vontade mais que humana. Aquilo que precisamos entender sobre Deus só pode ser ensinado pelo próprio Deus, por isso não nada deve ser conhecido exeto pelo próprio autor. Deus dá origem ao anúncio da fé, e somente por ele pode ser discernido. (Jo 7.16-17;8. 28, 31,32; 13.35; 15.8; 15.22-24; 1 Co 2.17-13; Jo 16.7-15;1 Co 13.12; Luc 6.46)
• INSPIRAÇÃO - não pode existir distinção entre a auto revelação de Deus e o modo de expressão. Embora o homem articule na forma de sua representação conceitos que possuem conteúdos de sua existência, por mais importantes que sejam seus valores históricos, a religião, o crer, a ciência e o conhecimento não pode execer seu próprio campo de interesse. O elemento essencial e original da natureza expressiva da fé se encontra personificado na revelação divina, o que se tornou uma vez por todas o tribunal de apelação, a norma absoluta pela qual o homem deve se guiar, e a palavra segura e fato supremo nos quais sua confiança religiosa deve se apoiar. A medida disso está no caráter instrumental das atividades do Cristo, como causa material, formal, eficiente e final. (Jo 3. 31-36; 15.1-10;17.3; 6.53-70;Mt 3.36; Rm 5.10;14.14;2 Co 3.14;Fil 4.13;3.8-9;2 Co 5.17; Rm 8.01; 2 Co 5.19; Ef 1. 3-11).
A autoridade teológica existe independentemente de quem se aproprie dela. A autoridade deve ser reconhecida e recebida em Cristo, e ao homem, a igreja, só cabe experimenta-la. A autoridade da igreja, e dos credos está apoiada em Cristo e sua Palavra. A igreja é uma comunidade que se apropria da autoridade de Cristo dentro de uma experiência mediada pela Palavra. A experiência individual do crente, a experiência ministerial da igreja e a experiência formalizada dos credos, não são autoridades de alguém, ou característicos de uma convenção tradicional. Toda igreja possue uma autoridade delegada, o qual só é real ser for medida na plenitude da revelação de Deus por Jesus Cristo, como sua autenticação só é possível pelo Evangelho da sua carne, obra, testemunho e pessoa. Este padrão não permite ser julgado por homens (Mt 7.13-14), e quem utilizar qualquer caminho alternativo para o pensamento teológico, considere mercenário (Jo 10).
(Mt 7.24 - 29;Mc 1.22;Lc 20.2;Mt 11.27; 5.32; 9.6-8;28.18;Jo 5.19-27;1 Co15.54;Ef 1.21;Cl 2.10; 1 Pe 3.22; Ef 2.20-22; 1 Co 3.11; 2 Tm 2.19; 1 Pe 2.6; Mt 21.42; At 4.11)
A ministração da Palavra e do sacramento é a única forma de governo da igreja, e o conjunto total de todo o poder eclesiático inclui um chamado legítimo, obediência, avaliação da doutrina, da vida das pessoas, o exercício da disciplina, a exclusão dos rebeldes da igreja e assim por diante. Todo poder da igreja está em Cristo, a quem Deus ungiu cabeça representativa do corpo vivo. Portanto, o exercício deste poder na igreja, emprega instrumentos, esses que não são autônomos, independentes, soberanos, mas ligados à Ele e sua Palavra. Todo ofício da igreja de Cristo é um ministério sem poder legislativo, judiciário e executivo próprios, mas capaz apenas de ministrar as coisas contidas e implícitas na palavra de Cristo. Por tanto, não há dentro da igreja, nenhum outro poder além da pregação, ministração da Palavra e dos sacramentos.
Cristo associou aos ofícios que institui a sua igreja como poder especial, que consiste na proclamação do Evangelho (Mt 10.17;Mc 3.14;16.15;Lc 9.2) na ministração dos sacramentos (Mt 28.19; Mc 16.15; Lc 22.19; 1 Co 11.24-26), na realização de diferentes milagres ( Mt 10.1, 8; Mc 3.15; 16.18; Lc 9.01; 10.9, 19), na retenção ou na busca pelo perdão dos pecados (Mt 16.19; 18.18; Jo 20.23), na alimentação do rebanho (Jo 21.15-17; At 20.28), no exercício da disciplina (Mt 18.17; 1 Co 5.4) no servir às mesas (At 6.2) e no direito de receber a vida do Evangelho (Mt 10.10; 1 Co 9.4; 2 Ts 3.9; 1 Tm 5.18).
Esta descrição que a Escritura nos dá aponta para uma igreja cujo o poder é o Evangelho, de completa independencia de todos os poderes do mundo e sua singularidade em comparação a todos eles. A muitos poderes e autoridades na terra: na família, na sociedade, no estado, na arte, na ciência e assim por diante. No entanto, o poder da igreja é essencialmente distinto de todos eles, e completamente independente e livre de todos os poderes deste mundo. Portanto o poder da igreja é espiritual, mas o poder do governo político é terreno e secular(Jo 7.7;8.23;15.18-19;17.16; 16.11; 1 Jo 5.19), e esse estende para sujeitos que pela simples razão só funcionam por meio de seus interesses espúrios e terrenos.
Formas de ministério da igreja que convergem em Cristo para o objetivo comum que é a edificação do corpo, hora atingindo de um lado pela adesão de novos membros e, outro, pelo progresso e enriquecimento da vida espiritual dos membros existentes, para avançar pela concretização em Cristo (1 Co 12.28-31; Ef 4.11,12; Rm 12.6-8):
• Apóstolos
• Evangelistas
• Profetas
• Mestres
• Pastores
A variedade de seus dons lista:
• Profecia
• Ministério do ensino
• Exortação
• Liberalidade
• Presidir
• Atos de minisericórdia
• Cura
• Socorro
• Governo
• Variedade de linguas
• Interpretação de línguas
A ordem disciplinar destes oficiais tinha como papel importante na primeira igreja, o que implicava qualificação e capacitação de todos:
• Uma comissão feita de crentes cheios do E. Santo para pregar o Evangelho em caráter de missão geográfica.
• Culto regularmente entre convertidos para instrução da Palavra de Deus, comunhão, testemunho público, serviço, obediencia às ordenanças, como Batismo e a Ceia do Senhor.
• Tomar medidas apropriadas para a conduta dos assuntos da igreja e sua disciplina.
• Garantir a continuidade da obra de Cristo, como seu aumento, preservação da pureza, ordem e santidade de acordo com seu chamado
• Responsabilidade dos oficiais era o dever do exercício disciplinar e da instrução, afastando daqueles que não seguem a doutrina, como identificando os hereges
• (Mt 16.19; Mc 16.15-18; Lc 24.44-49; Mt 28.18-20; Rm 12.8; 2 Co 10.4-6; Ap 2.2,20; Gl 1.8; Tito 3.10;2 Jo 2.9; 1 Co 5.11; 2 Co 6.14; Ef 5.11; 2 Tes 3.6; Jo 15.19; Rm 16.17; 2 Tes 3.6; 1 Tm 6.5; 1 Co 10.16-21; Atos 1.8; 2.41-42; 4.32-37; Mt 25.14-30; (2 Tm 4.10; 1 Tm 1.19-20; 2Tm 2.17; 1 Jo 2.19; 2 Pe 2.21)
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